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segunda-feira, 30 de março de 2015

Lição 01 - O Evangelho Segundo Lucas

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Introdução

Lucas, o médico amado, não foi um apóstolo nem tampouco foi uma testemunha ocular da vida de Jesus, todavia deixou uma das mais belas obras literárias já escritas sobre os feitos do Salvador e os primeiros anos da comunidade cristã. A narrativa de Lucas descreve, com riqueza de detalhes, o ministério terreno de Jesus, como ele nasceu, cresceu, libertou os oprimidos, formou os seus discípulos, morreu pendurado em uma cruz e ressuscitou dos mortos.
O terceiro Evangelho possui uma forte ênfase carismática. Mais do que qualquer outro evangelista ou escrito do Novo Testamento, Lucas dá amplo destaque à pessoa do Espírito Santo durante o ministério público de Jesus até sua efusão sobre os cristãos primitivos. Nesse aspecto, a obra de Lucas deve ser entendida como um compêndio de dois volumes, onde o segundo volume, Atos dos Apóstolos, é entendido a partir do primeiro, o terceiro Evangelho, e vice-versa.
Um erro bastante comum cometido por vários teólogos, principalmente aqueles que não creem na atualidade dos dons espirituais, é tentar “paulinizar” os escritos de Lucas. Por não entenderem o pensamento lucano, não o vendo como teólogo como de fato ele era, mas apenas como um historiador, tentam interpretá-lo à luz dos escritos de Paulo. Evidentemente que toda Escritura é inspirada por Deus e que o princípio da analogia é uma das ferramentas básicas da boa exegese, todavia isso não nos dá o direito de transformar Lucas em mero coadjuvante da teologia paulina. Em outras palavras, Paulo deve ser usado para se compreender corretamente Lucas, mas também Lucas deve ser consultado para se quer entender, de fato, o que Paulo escreveu.
Esse entendimento se torna mais ainda relevante quando aplicamos essa metodologia em relação aos carismas do Espírito narrado no terceiro Evangelho, em Atos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas. Se Paulo foi um teólogo, possuindo independência para falar dos dons do Espírito, Lucas da mesma forma também o foi e seu pensamento é tão relevante quanto o de Paulo. Nesse aspecto Lucas não deve ser entendido apenas como um narrador de fatos históricos, mas como um teólogo que escreveu a história.

O livro que escrevi e a lição deste trimestre mostram facetas dessa abordagem metodológica na interpretação de Lucas, mas não segue o modelo adotado nos comentários de natureza puramente expositiva como são, por exemplo, as obras de Leon Morris, William Hendriksen, Fritz Rienecker, J.C. Ryle e outros. Isso tem uma razão de ser — o presente texto não é um comentário versículo por versículo do evangelho de Lucas, nem mesmo capítulo por capítulo. Antes, é uma abordagem temática dos principais fatos ocorridos durante o ministério público de Jesus, como por exemplo, seu nascimento, crescimento, morte e ressurreição. Tendo sido escrito como texto de apoio às Lições Bíblicas de Jovens e Adultos da Escola Dominical esse tipo de abordagem permite trazer um comentário mais exaustivo sobre cada tema, mas, sem dúvida, limita um estudo mais expositivo do texto bíblico. Isso explica, por exemplo, o porquê de determinados textos, mesmo sendo importantes dentro do contexto da teologia lucana, não terem sido abordados aqui.
Procurando fugir do tecnicismo das obras de natureza puramente exegética, até mesmo por seguir a estrutura das Lições Bíblicas a quem serve de apoio, o presente livro primou por ser mais de natureza devocional teológica. Isso não significa que a exegese e os princípios bíblicos de interpretação foram relegados ao segundo plano. Não! Todavia procurou o presente texto dialogar com o leitor por saber que muitos deles, alunos da ED, não tiveram acesso ao intrincado mundo das enfadonhas regras gramaticais.
Que o Senhor abençoe a cada leitor durante nossos estudos que se seguem.

O Evangelho Segundo Lucas

Metodologia

Ao estudarmos uma obra literária, precisamos, dentre outras coisas, levar em conta a sua autoria e data, o tipo de gênero literário, o seu destinatário e o propósito para o qual ela foi escrita. Essa metodologia é importante não apenas para o estudo de textos bíblicos, mas também para qualquer obra da literária universal. A sua observância garantirá que o intérprete não chegue a conclusões equivocadas e diferentes da- quelas que tencionou o autor.
O estudante da Bíblia deve, portanto, ter isso em mente quando estuda o terceiro Evangelho. Roger Stronstad, teólogo de tradição pentecostal canadense, demonstrou, por exemplo, que uma metodologia errada na análise do Evangelho de Lucas tem levado vários estudiosos a chegarem a conclusões teológicas igualmente erradas.1 Esses equívocos têm como subprodutos uma fé e prática cristã diferente daquela desenhada nas obras de Lucas.
Ao analisar, por exemplo, os contrastes existentes no desenvolvimento histórico da doutrina do Espírito Santo nas diferentes tradições cristãs, Stronstad observa que “essa divisão não é simplesmente teológica. No fundo, o assunto tem diferenças hermenêuticas ou metodológicas fundamentais. Essas diferenças metodológicas surgem dos diversos gêneros literários e são da mesma extensão que estes. Por exemplo, há que deduzir a teologia do Espírito Santo de Lucas de uma “história” de dois volumes sobre a fundação e o crescimento do cristianismo, dos quais se classifica o volume um como um Evangelho e o volume dois como Atos. Por contraste, temos que derivar a teologia do Espírito Santo de Paulo de suas cartas, as quais dirigiu às igrejas geograficamente separadas em diferentes ocasiões de suas jornadas missionárias. Estas cartas são circunstanciais, quer dizer, tratam de alguma circunstância particular: por exemplo notícias de controvérsias (Gálatas), respostas às perguntas específicas (1 Coríntios) ou planos para uma visita vindoura (Romanos). Assim que, à medida que Lucas narra o papel do Espírito Santo na história da igreja primitiva, Paulo ensina a seus leitores acerca da pessoa e ministério do Espírito”.2

Autoria

Como veremos mais adiante, a tradição que atribui autoria lucana para o terceiro Evangelho é muito antiga. No texto bíblico, as referências ao “médico amado” são Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.11 e Filemon 24. Todavia assim como outros escritos do Novo Testamento, o terceiro Evangelho também não traz grafado o nome de seu autor.
Evidências internas da autoria lucana
Diferentemente de outros livros neotestamentários que são anônimos, o terceiro Evangelho deixou pistas que permitiram à igreja atribuir a Lucas, o médico amado, a sua autoria. Alguns desses indícios internos listados pelos biblistas são:

1. Tanto o livro de Lucas como o livro de Atos são endereçados a uma pessoa identificada como Teófilo. “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os
^ presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.3), “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de Deus” (At 1.1-3).

2. Como vimos, o livro de Atos se refere a um outro livro que fora escrito anteriormente (At 1.1), que sem dúvida alguma trata-se do terceiro Evangelho. Quem escreveu Atos dos Apóstolos, portanto, escreveu também o terceiro evangelho.3

3. O estilo literário e as características estruturais de Lucas e Atos apontam na direção de um só autor;

4. Muitos temas comuns ao terceiro Evangelho e Atos não são encontrados em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Por exemplo, a ênfase na ação carismática do Espírito Santo sobre Jesus e seus seguidores (Lc 24.49; At 1.4-8).4

Devemos observar ainda, como destaca Walter Liefeld, dentro dessa perspectiva, que o autor de Lucas-Atos não foi uma testemunha ocular dos feitos de Jesus, mas um cristão da segunda geração que se propôs a documentar a tradição existente sobre Jesus e o andar dos primeiros cristãos. Na passagem de Atos 16.10-17, a referência à primeira pessoa do plural (nós) além de revelar que Lucas era um dos companheiros de Paulo na segunda viagem missionária mostra também que era ele quem documentava esses registros:
“E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho. E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis; e dali, para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade. No dia de sábado, saímos fora das portas, para a beira do rio, onde julgávamos haver um lugar para oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. Depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa e ficai ali. E nos constrangeu a isso. E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (At 16.10-17).

Essas evidências internas, sem sombra de dúvidas, apontam a autoria lucana do terceiro Evangelho. A propósito, em 1882 o escritor W.K. Hobart em seu livro: A Linguagem Médica de Lucas demonstrou a existência de vários termos médicos usados no terceiro Evangelho, o que confirmaria a autoria lucana. Posteriormente a obra O Estilo Literário de Lucas, escrita por H. J. Cadbury tentou mostrar que não somente Lucas usou termos médicos em sua obra, mas que outros escritores, mesmo não sendo médicos, fizeram o mesmo. Mas como bem observou William Hendriksen, quando se faz um paralelo entre Lucas e os demais Evangelhos Sinóticos observa-se a peculiaridade do vocabulário médico empregado por Lucas. Hendriksen comparou, por exemplo, Lucas 4.38 com Mateus 8.14 e Marcos 1.30 (a natureza ou grau da febre da sogra de Pedro); Lucas 5.12 com Mateus 8.2 e Marcos 1.40 (a lepra); e Lucas 8.43 com Marcos 5.26 (a mulher e os médicos). Ainda de acordo com Hendriksen, pode-se acrescentar facilmente outros pequenos toques. Por exemplo, somente Lucas declara que era a mão direita que estava seca (6.6, cf. Mt 12.10; Mc 3.1); e entre os escritores sinóticos, somente Lucas menciona que foi a orelha direita do servo do sumo sacerdote a ser cortada (22.50; cf. Mt 26.51 e Mc 14.47). Compare também Lucas 5.18 com Mateus 9.2, 6 e Marcos 2.3, 5, 9; e çf. Lucas 18.25 com Mateus 19.24 e Marcos 10.25. Além do mais, conclui Hendrinksen, embora seja verdade que os quatro Evangelhos apresentam Cristo como o Médico compassivo da alma e do corpo, e ao fazê-lo revelam que seus escritores também eram homens de terna compaixão, em nenhuma parte é este traço mais abundantemente notório que no Terceiro Evangelho.5

Evidências externas da autoria lucana

Além dessas evidências internas, há também diversas evidências externas, que fazem parte da tradição cristã, atestando a autoria lucana para o terceiro Evangelho. Uma delas, o cânon muratoriano, escrita em cerca de 180 d.C., confirma a autoria de Lucas: “o terceiro livro do Evangelho, segundo Lucas, que era médico, que após a ascensão de Cristo, quando Paulo o tinha levado com ele como companheiro de sua jornada, compôs em seu próprio nome, com base em relatório”. Em cerca de 135 d.C., antes portanto do Cânon muratoriano, Marcião, o herege, também atesta a autoria de Lucas para o terceiro Evangelho. Testemunho confirmado posteriormente por Irineu (Contra as Heresias, 3.14-1) e outros escritores posteriores.

Data de Composição da Obra

A data da composição do terceiro evangelho é melhor definida pelos biblistas quando se leva em conta alguns fatores. Por exemplo, se Lucas valeu-se do Evangelho de Marcos como uma de suas fontes, nesse caso é preciso situá-lo em data posterior ao escrito de Marcos que foi redigido alguns anos antes do ano 70 d.C. Segundo, se Lucas é o primeiro volume de uma obra em dois volumes (Lucas-Atos), como se acredita que é, fica bastante evidente que o terceiro Evangelho foi compilado antes dos Atos dos Apóstolos. Nesse caso será preciso primeiramente datar o livro de Atos. Os eruditos acreditam que, levando-se em conta uma análise detalhada do livro de Atos dos Apóstolos, a data para sua redação está entre 61 a 65 d.C. Em Terceiro lugar, a data para a redação de Lucas dependerá também de como se interpreta o sermão feito por Cristo sobre a destruição de Jerusalém (Lc 21.8-36). Nesse caso, argumentam os críticos, Lucas escreveu depois da destruição de Jerusalém no ano 70 visto ter feito referência aos fatos ocorridos nessa data. Esse argumento é fraco, visto que Cristo proferiu uma profecia sobre os eventos do fim e que tiveram início na destruição de Jerusalém. E o que os teólogos denominam de vaticinium ex eventu, isto é, uma profecia que é feita antes que o evento ocorra. Em quarto lugar, muitos críticos argumentam em favor de uma data mais tardia para Lucas, porque segundo eles, algumas situações mostradas nas obras de Lucas demonstrariam situações que ainda não existiam nos anos 60 e 70 d.C. Mas esse é um argumento que não se sustenta pelas mesmas razões já expostas anteriormente.6 Em resumo, Lucas redigiu sua obra entre os anos 60 e 70, sendo que alguns estudiosos opinam para a primeira parte dessa década enquanto outros pela segunda. Seja como for, isso em nada altera aquilo que Lucas escreveu.

Gênero Literário

Compreender a que tipo de gênero literário pertence o terceiro Evangelho é crucial para uma correta compreensão do seu texto. Isso se torna mais relevante ainda quando se estuda o papel que o Espírito Santo ocupa na teologia lucana. Já há algum tempo, a perspectiva teológica que via as obras de Lucas apenas como biografia e história vem sendo abandonadas pelos biblistas. Em 1970 o conceituado teólogo I. Howard Marshall chamou a atenção para o fato de que Lucas não poderia ser visto mais como um simples historiador, mas como um teólogo que escreveu a história.7 Em outras palavras, Lucas não apenas documentou os fatos, mas escreveu suas obras tendo em mente um propósito teológico definido. Nesse aspecto, observa o escritor Luís Fernando Garcia-Viana, “Lucas é o teólogo da história da salvação: a história de Israel ou tempo da preparação; Jesus como centro do tempo (Lc 16.16); e o tempo da missão ou da igreja, que se inicia com a Ascensão e o Pentecostes”.8
Quando se reduz as obras de Lucas apenas à sua dimensão histórica, forçosamente se é tentado a vê-las apenas como material de natureza narrativa ou descritiva e sem nenhum valor didático. Esse é um erro que precisamos evitar a todo custo. Por muitos anos esse era o entendimento que dominava os círculos teológicos graças às obras dos teólogos John Stott e Gordon D. Fee.9 Partindo de uma metodologia que atribui apenas valor narrativo e não didático à obra de Lucas, tanto Sott como Fee acabaram por mutilar o caráter claramente carismático do texto lucano. A esse respeito, Stott escreveu:
“Se deve buscar a revelação do propósito de Deus nas Escrituras nas partes didáticas, e jamais em sua porção histórica. Mais precisamente devemos buscá-la nos ensinos de Jesus e nos sermões e escritos dos apóstolos e não nas porções puramente narrativas de Atos”.10
Esse é um exemplo clássico de falácia exegética, pois anula uma máxima bíblica na qual se afirma que toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para o nosso ensino (2 Tm 3.16; Rm 15.4). Por outro lado, não leva em conta o caráter didático das narrativas veterotestamentárias usadas por Paulo quando instrui os primeiros cristãos (Rm 4.1-25;1 Co 10.1-12; G1 3.6-14). A propósito, após ver sua argumentação ser contraditada por Roger Stronstad, o anglicano John Stott voltou atrás e fez emendas em sua tese:
“Não estou negando que narrativas históricas têm uma finalidade didática, pois é claro que Lucas era tanto um historiador e um teólogo; Estou afirmando que a finalidade didática de uma narrativa nem sempre é evidente em si mesma e por isso muitas vezes precisa de ajuda interpretativa de outro lugar nas Escrituras”.11
Lucas, portanto, foi um teólogo que escreveu a história e ao assim proceder o fez com um fim didático. Primeiramente ele mostra no seu Evangelho a história da Salvação se revelando de uma forma especial e chegando ao seu clímax com Jesus, o Messias prometido. O Espírito do Senhor, que agiu sobre os antigos profetas e que seria um sinal distintivo do Messias (Is 61.1; Lc 4.18), estava sobre Jesus capacitando-o a realizar as obras de Deus. No segundo volume da sua obra, Atos dos Apóstolos, ele demonstra que essa história da Salvação não sofreu solução de continuidade, pois o mesmo Jesus, na pessoa do Espírito Santo, continuou presente em seus seguidores. O Messias cumpriu as profecias e derramou o Espírito Santo sobre toda a carne (Jl 2.28; At 2.33; 5.32). Não há dúvidas, portanto, que a teologia lucana mostra de forma inequívoca que as mesmas experiências dos cristãos primitivos serviriam de parâmetro para todos os crentes na história da igreja.12

Propósito

A fé cristã no seu contexto histórico

E inegável que Lucas, como um teólogo, demonstrou um grande interesse pelos fatos históricos quando redigiu sua obra. O prólogo, escrito a Teófilo, que se acredita ser um gentio de alta posição social, atesta isso. “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado” (Lc 1.1-4).13
O que pretendia, portanto, o autor do terceiro Evangelho ao documentar sua obra? Lucas procura narrar a história; mas não a história como se entende hoje em seu sentido secular ou positivo, que se prende apenas à narrativa das ações humanas.14 Ele narra a história da Salvação. A história de Lucas é a história da ação de Deus entre os homens e como ele demonstra a sua soberania entre eles! Dentro desse contexto o seu interesse era mostrar os fatos sobre os quais o evangelho estava fundamentado; estabelecer o vínculo entre o cristianismo e o judaísmo, revelando dessa forma que a fé cristã possuía raízes judaicas; deixar claro que o cristianismo não veio para competir com o império romano, mostrando assim que ele não era uma ameaça política à autoridade do império.15

Uma Teologia Carismática

Como um escritor inspirado e um teólogo cristão, Lucas mostra que o tempo do cumprimento das promessas de Deus, preditas nos antigos profetas, havia chegado. Fica claro para ele que o advento do cristianismo foi precedido pela renovação do Espírito profético. O último profeta, Malaquias, havia silenciado cerca de quatrocentos anos antes. Esse hiato entre os dois testamentos é conhecido como período inter-bíblico. Agora esse silêncio é rompido, primeiramente pelo anúncio feito a Zacarias, pai de João Batista (Lc 1.13) e posteriormente a Maria, a mãe de Jesus (Lc 1.28). É, contudo, no ministério de João Batista, que Lucas mostra a restauração da antiga profecia bíblica: “E, no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias” (Lc 3.1-2).
Essa restauração da antiga profecia bíblica, como veremos em capítulos posteriores, é importante no contexto da teologia carismática de Lucas. Já foi dito que Lucas escreveu uma obra em dois volumes e esse é um fato importante porque essa homogeneidade nos ajuda compreender a ação do Espírito Santo na teologia Lucas-Atos. No Evangelho, Lucas mostra o Espírito atuando sobre o Messias e capacitando-o para realizar as obras de Deus como havia sido prometido nas profecias (Lc 4.18; Is 61.1). Por outro lado, no livro de Atos está o cumprimento da promessa do Messias de derramar esse mesmo Espírito sobre os seus seguidores (Lc 11.13; 24.49; At 1.8). Em outras palavras, o mesmo revestimento de poder que estava sobre Jesus Cristo e que o capacitou a curar os enfermos, ressuscitar os mortos e expulsar os demônios seria também dado a seus seguidores quando ele fosse glorificado. “De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2.33); “nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (At 5.32).16

A História da Salvação

A história da Salvação no terceiro Evangelho é revelada em seu aspecto particular e universal. Sem dúvida a ênfase maior está na universalidade da Salvação. Jesus veio para os judeus, mas não somente para estes, ele veio também para os gentios. A Salvação é para todos! Esse princípio teológico de Lucas fica em evidência quando se observa o lugar que os excluídos ocupam nos seus registros. No anúncio do nascimento de Jesus feito pelos anjos aos camponeses foi dito: “Vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10).
Todo o povo, e não apenas os judeus, era objeto da graça de Deus. E inegável a atenção que se dá aos pobres, excluídos e marginalizados no Evangelho de Lucas. O Espírito Santo estava sobre Jesus para “evangelizar os pobres” (Lc 4.18). É interessante observarmos que a palavra grega ptochoi, traduzida como pobres, significa alguém que possui alguma carência. E exatamente esses carentes que Jesus irá priorizar em seu ministério. Ele dará grande atenção aos publicanos, pecadores, mulheres e aos samaritanos que eram discriminados naquela cultura (Lc 5.32; 7.34-39;9.51-56; 10.3; 15.1; 17.16; 18.13; 19.10).
Essa Salvação predita pelos profetas, anunciada pelos anjos e declamada em forma poética pelo sacerdote Zacarias e Maria, mãe de Jesus, é também de natureza escatológica. A teologia lucana mostra João anunciado a chegada do Reino e Jesus estabelecendo-o durante o seu ministério. Todavia esse Reino inaugurado pela manifestação messiânica (Lc 4.43; 8.1; 9.2; 17.21) ainda não está revelado em toda a sua extensão. Já podemos, sim, viver a sua realidade no presente, mas a sua plenitude somente na sua parousial (At 1.6-11).
Essa é a nossa esperança!

NOTAS

1 STRONSTAD, Roger. The Charismatic Theokgy ofSt Luke. Hendrickson Publishers, tenth printing, U.S.A, march 2009.
2 STRONSTAD, Roger. Idem, pg.6. Stronstad amplia seu argumento na sua obra Spírit, Scripture & Tehology - a Pentecostal Perspective. Asia Pacific Theological Seminary Press, Baguio City, Philippines, 1995.
3 Vejam uma exposição detalhada sobre esse ponto na obra de William Hendrinksen: Comentário do Novo Testamento - Lucas. Editora Cultura Cristã.
4 LIEFELD, Walter. The Expositor Bible Commentary. Zondervan, U.S.A.
5 HENDRINKSEN, William. Comentário Novo Testamento - Lucas. Editora Cultura Cristã, São Paulo, SP.
6 LIEFELD, Walter. The Expositor’s Bible Commentary - Mathews, Marfc, Luke, Vol. 8. Zondervan.
7 MARSHALL, I. Howard. Luke - Historian & Theologian. IVP Aca- demic, Illinois, U.S.A, 1970.
8 GARCIAVIANA, Luis Fernando in Comentário ao Novo Testamento, vol. III. Editora Ave Maria, São Paulo, 2006.
9 Conforme se encontram nos livros: Batismo e Plenitude do Espírito (Stott) e Entendes o que Lês (Fee).
10 STOTT, John. Batismo e Plenitude. Edições Vida Nova, São Paulo,
SP.
11 STOTT, John. The Spirit, the Church, and the World, p. 8, Downers Grove, IL: Inter Varsity Press, 1990.
12 Os escritores americanos Stanley M. Burgess (The Holy Spirit: Eas- tern Christian Traditions) e Ronal A. Kydd (Charismatic Gifts in the Early Church) demonstraram de forma definitiva que os dons do Espírito Santo estiveram presentes por toda a história da igreja.
13 A palavra grega Teófilo significa “Amigo de Deus”, e o termo era- tistos, traduzido como “excelentíssimo” é um pronome de tratamento usado para pessoas que desfrutavam de um elevado conceito social.
14 Os séculos 19 e 20 testemunharam a corrida de muitos teólogos na busca, do que denominavam de “Jesus Histórico”. Esses autores, in- fluenciados pelo secularismo, queriam dar uma roupagem mais científica ao cristianismo, eliminando do seu seio o que eles acreditavam ser mitos, lendas e dogmas. O resultado disso tudo foi a produção de um “Jesus Histórico” caricaturado, totalmente diferente daquele mostrado nos Evangelhos. Duas obras representativas nesse sentido são The Life of Jesus, 1863 de Ernest Renan, escritor francês e Demitologização, do protestante Rudolf Bultmann. James D.G. Dunn em sua obra: Jesus em Nova Perspectiva - o que os estudos sobre o Jesus Histórico deixaram para trás (Paulus, 2013), ao fazer uma crítica a esses estudos, destaca: “o que começou como protesto contra a artificialidade do Cristo do credo, o que iniciou como tentativa de eliminar camadas seculares de estratagemas dogmáticos e eclesiásticos acabou rejeitando os próprios evangelhos e sua imagem de Jesus suspeitando seriamente da tradição de Jesus como um todo. Do início ao fim, toda a tradição de Jesus é produto da fé, motivo pelo qual deve ser ignorada” (p.27).
15TOLBERT, Malcolm. Comentário Bíblico Broadman, volume 9, Lucas- -João. Editora Juerp, Rio de Janeiro, 1983.

16 Roger Stronstad observa em La Teologia Carismática de Lucas e em The Prophethood of Ali Believers, que assim como a unção de Jesus (Lc 3.22; 4.18) é um paradigma para o subsequente batismo do Espírito, a unção dos discípulos é um paradigma para o povo de Deus por todos os “dias posteriores” como uma comunidade carismática do Espírito, a unção profética de todos os crentes (At 2.16-21).

Pastor José Gonçalves
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Dinâmica da Lição 01: O Evangelho Segundo Lucas (Adultos)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6 - Neste trimestre estudaremos a respeito do terceiro Evangelho. O estilo de Lucas é considerado um dos mais fluentes e belos. Ele deu continuidade ao seu trabalho escrevendo o livro de Atos. Lucas deixa claro, logo na introdução, que sua narrativa é resultado de várias pesquisas (1.1-4). O doutor Lucas agiu como um repórter investigativo para poder narrar todos os acontecimentos acerca do Filho de Deus, por isso, seu trabalho é o mais completos dos quatro Evangelhos.

Dinâmica: O Evangelho segundo Lucas
Objetivo:
Sondar o conhecimento prévio dos alunos a respeito do Evangelho de Lucas e introduzir a primeira lição do trimestre.
Material:
Papel ofício, caneta, folha de papel pardo com o quadro, fita adesiva, quadro branco.
Atividade:
Apresente a nova revista e o tema do trimestre aos alunos. Depois escreva no quadro as seguintes indagações: "Qual o propósito do Evangelho de Lucas?" "Quem são seus destinatários?" "Em que ano foi escrito?" "Qual o tema principal?"
Depois, peça que os alunos se reúnam formando quatro grupos. Cada grupo deverá ficar com uma questão para que respondam. Em seguida, reúna os alunos novamente formando um único grupo. Explique que para estudar os livros da Bíblia de modo efetivo precisamos responder a essas questões. Depois, juntamente com os alunos, complete o quadro. Conclua incentivando a leitura de todo o Evangelho de Lucas.

Autoria
Lucas (Cl 4.14)
Destinatário
Teófilo e os gentios
Propósito
Fazer um relato preciso a respeito do nascimento e vida do Messias
Ano em que escrito
Por volta de 60 d.C.
Tema principal
O relacionamento do Messias com as pessoas.
Lucas enfatizou que a salvação é para todos

Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Fonte: Revista Ensinador Cristão Nº 62
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Dinâmica da Lição 01: A Terra de Jesus (Jovens)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6 – Agora, vocês iniciam o estudo da lição. Vejam estas sugestões:
- Apresentem a capa da lição e falem que, neste trimestre, vamos estudar sobre o “contexto da sociedade judaica nos tempos de Jesus”.
- Na primeira lição, Apresentem o título da lição: A Terra de Jesus.
- Agora, trabalhem o tema da lição através da dinâmica “Viajando para Israel”.
Tenham uma excelente e produtiva aula!

Dinâmica: Viajando para Israel
Objetivo:
Introduzir o estudo sobre a terra de Jesus.
Material:
01 mapa de Israel da época do Novo Testamento
Durex colorido azul e vermelho
Nomes digitados: Mar Morto, Lago de Tiberíades, Rio Jordão, Nazaré, Belém,
Procedimento:
1 - Montem um mapa no piso da sala, antes dos alunos chegarem para a aula. Como assim? Isto mesmo, para isto vocês precisarão de durex colorido, o mapa pequeno de Israel que servirá de referência e nomes de cidades digitados.
Vejam como fazer, observando este exemplo:
Colocar no piso o nome do Mar Morto e fazer um desenho dele semelhante ao do mapa com durex azul.
Colocar no piso o nome do Lago de Tiberíades e fazer um desenho dele semelhante ao do mapa com durex azul.
Fazer a ligação entre o Mar Morto e o Lago com durex azul e colocar o nome rio Jordão.
Colocar o nome da cidade de Nazaré perto do Lago de Tiberíades(Mar da Galiléia) e o nome da Cidade de Belém próximo ao Mar Morto(orientem-se pelo mapa).
Com o durex colorido vermelho, unir as cidades de Belém a Nazaré( local do nascimento de Jesus e a cidade onde foi criado), demonstrando deslocamento.
Aproveitar este mapa e trabalhar outros pontos da vida de Jesus, como seu batismo no Rio Jordão, lugares por onde Jesus passava e ensinava e fazia milagres, como também o lugar da crucificação e ressurreição.
2 - Organizem os alunos ao redor do mapa.
3 – Falem: Vamos fazer uma viajem para a terra de Jesus, em 13 etapas(as lições). Apresentem uma mala e falem: O que não pode faltar na mala desta viagem? Entusiasmo, assiduidade, pontualidade, vontade de aprender, compromisso etc.
Estão todos prontos para a viagem? Então vamos começar.
4 - Comecem a explanação sobre o mapa, falando sobre os fatos ocorridos na vida de Jesus nos pontos geográficos assinalados no mapa.
5 - Depois, trabalhem os demais pontos levantados na lição.

Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Fonte: Blog Atitude de Aprendiz

Por Sulamita Macedo
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Dinâmica da Lição 01: O Relativismo Moral (Juvenis)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6 - Neste segundo trimestre os juvenis vão estudar a respeito de algumas questões difíceis do nosso tempo. O objetivo do trimestre é mostrar que a Palavra é a nossa regra de fé. Orientados por ela, temos como responder às questões a respeito do aborto, eutanásia, drogas, etc.

Dinâmica: Questões difíceis na atualidade
Objetivo:
Esclarecer algumas dúvidas em relação às principais verdades da fé cristã.
Material:
Quadro e caneta.
Atividade:
Para abertura do trimestre, sente-se com seus alunos em círculo e faça um comentário geral a respeito do tema do trimestre. Em seguida, pergunte aos alunos: "Quais as questões difíceis que temos que enfrentar hoje em nossa sociedade?" Ouça os alunos, e à medida que forem falando vá relacionando as respostas no quadro. Explique que temos que lidar com temas como o aborto, a legalização das drogas, o secularismo, a eutanásia, a exposição excessiva na mídia, o terrorismo, as catástrofes naturais, etc. Fale que essas questões devem ser respondidas e pensadas à luz da Palavra de Deus. Durante o trimestre vamos estudar com profundidade cada um dos temas.

Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!


 Fonte: Revista Ensinador Cristão Nº 62


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Dinâmica da Lição 01: Sacrificado? Eu? (Adolescentes)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6 - Neste trimestre o tema é "Adolescentes da Bíblia". É importante que seus alunos saibam que os personagens bíblicos também foram jovens e se destacaram pela confiança que tinham em Deus.

Dinâmica: Adolescentes da Bíblia
Objetivo:
Introduzir o tema do trimestre de forma lúdica.
Material:
Bíblia
Atividade:
Sente-se com os seus alunos em círculo e apresente ó tema do trimestre à turma. Em seguida, vá fazendo as perguntas para que os alunos respondam. "Enfrentei um leão e um urso. Quem sou eu?" (Davi). "Fui o último juiz de Israel. Quem sou eu?" (Samuel). "Aprendi a respeito da fé com minha mãe e minha avó. Quem sou eu?" (Timóteo). "Meu pai ia me oferecer a Deus como prova de sua obediência." Quem sou eu? (Isaque). "Ajudei minha mãe a salvar a vida de meu irmão." Quem sou eu? (Miriã) "Fui rei aos oito anos?" Quem sou eu? (Josias). "Fui vencido por uma mulher que pertencia os filisteus? Quem sou eu?" (Sansão). 


Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!


Fonte: Revista Ensinador Cristão

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Dinâmica da Lição 01: Uma Pessoa (Pré-Adolescentes)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6 - O tema do trimestre de pré-adolescentes é bem sugestivo e relevante, pois eles estão iniciando uma fase de importantes mudanças, em especial no físico. O tema vai ajudá-los a se conhecer melhor. Eles precisam saber que embora comecem a enfrentar algumas mudanças no físico, Deus os ama pelo que são.
Dinâmica: Quem sou eu
Objetivo:
Mostrar que Deus nos ama pelo que somos.
Material:
Caixinha com o nome dos alunos.
Atividade:
Sente-se com os seus alunos em círculo. Passe a caixinha com os nomes de todos os alunos presentes. Explique que eles terão que retirar um papel, mas não podem revelar o nome. A pessoa terá que dizer duas qualidades desta pessoa e o restante da turma terá que descobrir quem é. Depois que todos tiverem participado, conclua dizendo que todos têm qualidades e defeitos. Muitas vezes temos qualidades que não percebemos, mas aqueles que estão ao nosso redor percebem. Deus nos ama do jeito que somos. Ele nos ama e está disposto a nos ajudar a corrigir os nossos erros. Para o Senhor, vocês têm muitas qualidades.

Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Fonte: Revista Ensinador Cristão Nº 62


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Dinâmica da Lição 01: O que é Crer (Dicipulando 2º Ciclo)

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Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
6– Para o desenvolvimento da lição apresentamos as seguintes sugestões:
- Fale que nesta aula, o tema a ser estudado será: “O que é Crer.”
- Conceitue a fé segundo as Escrituras.
- Mostre os três aspectos da fé trabalhados na lição: Crer é confiar; Crer é conhecer; Crer é confessar.
- Explique as esferas da confissão da fé de acordo com a lição.
Para a aula desta semana sugerimos a dinâmica “Motivando a fé” e “A Fé que Derruba Obstáculos”.

Dinâmica: Motivando a fé
Objetivo: 
Motivar os alunos a descobrir valores motivadores da fé cristã e praticá-los no dia-dia
Materiais:
Uma bacia com água, uma velinha de aniversário, palitos de dente com pequenos papeis com palavras motivadoras coladas no palito, fósforo e uma mexerica (laranja cravo). Sugestão de palavras motivadoras: Oração, amor, leitura Bíblica, confiança, gratidão, caridade, esperança, reconhecimento, valorização, perdão, união, etc.
Atividade: 
Coloque a vela na mexerica em seguida coloque a mexerica com a vela na bacia de água. Solicite que a um dos alunos que acendam a vela. Peça para que cada aluno escolha um palito com a palavra de motivação e uma a uma deixem as palavras espetadas na mexerica. Ao final do procedimento deve-se contemplar e refletir sobre cada uma das motivações reunidas na mexerica e iluminadas pela chama da fé. Cada um deve se comprometer com a motivação escolhida e procurar vivenciá-la em seu dia a dia.

Qualquer dúvida é só acessar o link logo abaixo

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=U8QAXNlQi64

Dinâmica: A Fé que Derruba Obstáculos
Objetivo:
Despertar no novo convertido confiança em Deus para enfrentar e superar os obstáculos que surgem em sua caminhada de fé.
Material:
Bola pequena, vasilhames descartáveis de vários tamanhos com tampa (refrigerante, óleo, vinagre, detergente, desinfetante, remédio, agua mineral, etc.), etiquetas adesivas (criada ao seu estilo).
Procedimento:
Escreva nas etiquetas palavras que servem como obstáculos e que dificultam a nossa caminhada de vida cristã e tentam nos afastar da igreja, como por exemplo: tribulação, incompreensão, perseguição, zombarias, egoísmo, inveja, desamor, tentações, angústia, fome, nudez, perigo, ameaças, etc . Em seguida cole estas etiquetas nos vasilhames de vários tamanhos, que representarão os obstáculos dos mais variados tipos e tamanhos.
Você deve colar na bola algumas etiquetas com a palavra FÉ.
Inicie a dinâmica pedindo para que cada aluno, um a um, mire os vasilhames e jogue a bola para tentar derrubá-los. O vencedor será aquele que conseguir derrubar todos os vasilhames.
Encerre a dinâmica trazendo uma palavra de reflexão, mostrando que através de nossa fé somos capazes de derrubar e superar todos os tipos de obstáculos que surgem para tentar nos desanimar em nossa caminhada. Mostre que os obstáculos vão surgir, mas que a nossa fé será a força para a caminhada e só por ela superamos os obstáculos que dificultam a nossa caminhada cristã ao longo da jornada.

Encerre a dinâmica trazendo uma reflexão no texto de Romanos 8.35-39.

Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.


Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!
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sábado, 28 de março de 2015

Vídeo Aula da Lição 13: A Igreja e a Lei de Deus

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Autor: Pastor Luiz Henrique
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A Igreja e a Lei Deus - Lição 13

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O enfoque do presente capítulo é a compreensão da lei de Moisés e a sua relação com o evangelho. Trata- -se de um tema de grande complexidade. Disse Lutero: "Quem sabe distinguir corretamente o evangelho da lei deve agradecer a Deus e pode estar certo de que é um teólogo". Os três principais reformadores do século 16 debateram o assunto. Depois dessa série de estudos sobre o Decálogo e cada um dos seus preceitos, resta responder a duas questões: se a moral cristã está fundamentada nas dez palavras ou nos Dez Mandamentos (como aparece em nossas versões da Bíblia) e qual a sua relevância para a Igreja de Cristo na atualidade.


Já havia animosidades sobre o papel da lei de Moisés nos dias apostólicos. Esses debates ajudam a elucidar a questão, mas nem por isso a solucionaram definitivamente. Isso vem desde os galacionistas que se opunham ao apóstolo Paulo e também, em parte, desde os ebionitas, que defendiam a guarda da lei de Moisés. Mas os discípulos desses legalistas ainda estão por aí.

A LEI DE DEUS

A lei de Deus e os Dez Mandamentos não são a mesma coisa. Os Dez Mandamentos encabeçam os demais preceitos entregues por Deus a Moisés no monte Sinai desde Êxodo 19.16-19 até Levítico 26.46; 27.34. Esses preceitos são identificados com frequência como estatutos, juízos, leis e mandamentos. Muitos deles são repetidos nos livros de Números e Deuteronômio. Todo esse sistema legal integra o Pentateuco, que aparece na Bíblia como lei, livro da lei, lei de Moisés, lei de Deus, lei do Senhor.
É oportuno aqui esclarecer o que a Bíblia quer dizer quando usa as palavras "lei de Deus". O termo aparece sete vezes nas Escrituras, quatro no Antigo Testamento e três no Novo, e em nenhum lugar diz respeito ao Decálogo. As quatro primeiras ocorrências se referem a toda a lei de Moisés, ao Pentateuco, como livro: "Josué escreveu estas palavras no livro da Lei de Deus" Os 24.26); "E leram o livro, na Lei de Deus... ele lia o livro da Lei de Deus" (Ne 8.8,18); "e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na Lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do SENHOR, nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos" (Ne 10.29). Assim, as expressões "lei de Deus", "lei do Senhor" e "lei de Moisés" dizem respeito à mesma coisa (Ne 8.1, 8, 18; Lc 2.22, 23). Trata-se do Pentateuco no seu todo, e não apenas do Decálogo, do livro, e não das tábuas de pedra.
As outras três aparecem somente em Romanos, e nenhuma delas diz respeito ao Decálogo: "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus... Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado" (Rm 7.22, 25). O termo "lei" aparece cerca de 70 vezes nesta epístola com amplo significado, cuja explanação não cabe aqui. A "lei de Deus" neste contexto contrasta a "lei do pecado", mostrando tratar-se de um princípio. A outra ocorrência é no capítulo seguinte: "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8.7). O homem carnal não tem lei nem se submete à vontade de Deus que o apóstolo chama de "lei de Deus".

OS TRÊS TIPOS DE LEI

É comum ouvir falar de lei moral, lei cerimonial e lei civil. Os preceitos morais estão resumidos nos Dez Mandamentos. São os que tratam dos princípios básicos morais (alguns chegam a considerar erroneamente o sábado como preceito moral, ver Capítulo 5). É única porção do Pentateuco escrita pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedra. A própria nação de Israel viu e ouviu Deus entregando essa parte da lei a Moisés. Essa é outra característica distintiva do Decálogo. A lei cerimonial é a parte que trata das festividades religiosas, do sistema de sacrifício e da adoração no santuário, dos alimentos limpos e imundos e das instruções sobre a pureza ritual, entre outros. A lei civil diz respeito à responsabilidade do israelita como cidadão; são regulamentos jurídicos e instruções que regiam a nação de Israel. Convém salientar o que já foi dito no Capítulo 1: "Embora essa distinção tripartite seja antiga, seu uso como fundamento para explicar a relação entre os testamentos não é demonstravelmente derivada do Novo Testamento e provavelmente não é anterior a Tomás de Aquino" (CARSON, 2011, p. 179). Os preceitos cerimoniais e civis derivam dos preceitos morais. Esses três tipos de lei estão presentes no Pentateuco, entretanto, tudo é a lei de Moisés.

Há uma interpretação entre os cristãos de que a lei moral é eterna, portanto, para a atualidade. A lei cerimonial se cumpriu na vida e na obra de Jesus Cristo. A lei civil cumpriu sua função até que Israel deixou de ser um estado teocrático, e a Igreja não é um estado. Tudo isso são interpretações. É verdade que a lei cerimonial se cumpriu em Jesus, pois todo o sistema e ritos do tabernáculo apontavam para o Messias. Israel perdeu a condição de estado teocrático (Mt 21.43), e os privilégios de Israel foram transferidos para a Igreja (Êx 19.6, 7; 1 Pe2.9, 10). O Senhor Jesus cumpriu todos os preceitos morais durante sua vida terrena. Em nenhum lugar o Novo Testamento diz que a lei moral se resume a amar a Deus e ao próximo, mas abrange toda a lei: "Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.40). O apóstolo Paulo afirma: "Porque quem ama aos outros cumpriu a lei" (Rm 13.8). Em seguida, ele cita cinco mandamentos do Decálogo, mas não na sequência canônica, e depois volta a enfatizar que "o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.10).

OS REFORMADORES DO SÉCULO 16

Lutero entendia as ações de Deus em termos dialéticos e nisso via contraste entre a lei e o evangelho. A lei é a expressão máxima da vontade de Deus. Esse conceito é também defendido pelos judeus, e Calvino segue a mesma linha de pensamento. Segundo Lutero, a lei tem duas funções primárias. A primeira é coercitiva, restringe o perverso e mantém a ordem na sociedade, essa é a lei civil. A outra função da lei é teológica. A lei é santa e perfeita, foi dada para a vida, mas a distância entre sua santidade e a incapacidade humana de cumpri-la faz da lei uma palavra de julgamento. O que era para a vida transformou-se em morte. A função teológica exige do homem algo que lhe é impossível: cumprir a lei totalmente. Mas a lei permite ao homem conhecer o seu pecado, obter o conhecimento de si mesmo com a ajuda do Espírito Santo e em seguida obter o conhecimento de Deus. A lei não salva, mas é um meio de nos levar a Cristo; só é conhecida a partir do evangelho, e o evangelho se torna incompreensível sem ela.
Zuínglio classificava os preceitos da lei em morais, civis e cerimoniais. Os preceitos civis tratam de questões humanas particulares, os cerimoniais foram dados para o período antes de Cristo, e os preceitos morais foram resumidos no Novo Testamento na lei do amor. Para Zuínglio, a lei moral expressa a vontade eterna de Deus e por essa razão não pode ser abolida. Os cristãos estão sujeitos à lei do amor. Assim, a lei e o evangelho têm a mesma essência, são praticamente os mesmos. Zuínglio discordava de Lutero nesse ponto e também da ideia de que a função da lei era ser uma palavra de julgamento de Deus sobre o ser humano, mas dizia que ela estabelece a vontade e a natureza da Deidade.
Calvino trata o assunto no volume 2 de suas Institutas. A redenção prometida em Cristo está presente na lei cerimonial. O valor de todo o ritual do tabernáculo está na sua presença messiânica; o sacrifício e todo o serviço sagrado dos sacerdotes são aceitáveis diante de Deus porque tudo isso aponta para a pessoa e a obra de Cristo. Todos esses preceitos cerimoniais já se cumpriram. Calvino via um tríplice propósito na lei moral, a saber: mostrar o pecado, restringir o perverso e revelar a vontade de Deus. Na sua interpretação, Cristo aboliu a lei cerimonial. A lei moral é a expressão da vontade de Deus; essa vontade jamais pode ser mudada, de modo que a lei nunca pode ser abolida. Cristo aboliu a maldição da lei, e não a sua validade. Assim, Calvino considera a ideia de os cristãos não estarem sujeitos à lei como doutrina antinomianista(Antinomismo). O Senhor Jesus tornou explícito o que estava implícito no discurso do Sermão do Monte, e isso significa que a lei de Cristo não é outra senão a lei de Moisés. Assim como Cristo é o centro do Antigo Testamento e o Novo é a consumação desse fato, há entre ambos testamentos uma sólida continuidade. Trata-se de um relacionamento de promessa e cumprimento.

AVALIAÇÃO BÍBLICA

Parece que a ideia de lei moral, lei cerimonial e lei civil é usada como permissão para que cada um interprete o termo "lei" conforme seu entendimento e conveniência. Uns afirmam que a abolição foi da lei cerimonial e civil, mas que a lei moral é eterna e nunca pode ser abolida. Convém ressaltar que a visão tripartida da lei não deriva do Novo Testamento. É verdade que existem preceitos de caráter moral que são para todos os povos e em todas as épocas, e que outros são para um povo e uma época. Mas em nenhum lugar do Novo Testamento no qual aparece o termo "lei" afirma-se que essa lei é moral, cerimonial ou civil. O que significa quando o Senhor Jesus declara que não veio destruir a lei, mas a cumprir? Ou quando o apóstolo Paulo afirma que não estamos debaixo da lei, mas da graça? Ou ainda quando diz que a lei foi abolida por Cristo?
Jesus disse que veio cumprir a lei: "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.17, 18). Ainda há muitos expositores do Novo Testamento que tropeçam nessa passagem. A ideia aqui não é confirmar ou estabelecer a lei ou os profetas por meio da vida e do ensino de Jesus. O verbo grego para "destruir" é katalyo,m "destruir, revogar, invalidar". A antítese é "destruir" e "cumprir". O Senhor Jesus não fala em "observar ou guardar", mas em cumprir a lei ou os profetas.

O verbo grego usado aqui para "cumprir" é plêroõ, que significa "encher, preencher, completar", cuja ideia original é espacial (Mt 13.48; At 2.2). Esse verbo aparece 87 vezes no Novo Testamento como "finalizar, terminar, tomar algo completo, pleno” e nunca como "estabelecer" ou "confirmar". O Léxico Grego-Português do Novo Testamento de Louw & Nida traduz esse verbo em Mateus 5.17 como "dar o sentido completo": "Não vim para destruir, mas para dar o seu sentido completo" (2013, p. 362 [33.144]). Se o sentido de plêroõ aqui for de "completar", então Jesus está afirmando ser a plenitude da revelação. De fato, a revelação divina se consumou nele (Hb 1.1,2). Mas a interpretação mais aceita é de que se trata do cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida e no ministério do Senhor Jesus (Mt 1.22; 2.17,19; 4.14; Lc 4,21; Jo 19.36).
A ideia cristológica não se restringe a esses vaticínios e ocupa todo o pensamento das Escrituras hebraicas. A provisão do Antigo Testamento sobre a obra redentora de Deus em Cristo é muito rica de detalhes. Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença e a obra de Cristo na história da redenção (Os 11.1; Mt 2.15) e nas suas instituições e festas (Êx25.8; Jo l.l4;Hb5.4,5;Êx 12.3-13; Lc 22.15; 1 Co 5.7). A lei e os profetas convergem para Jesus; ele é o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento (Lc 24.26,27,44).
A expressão "a lei e os profetas" aparece com frequência no Novo Testamento para designar as Escrituras do Antigo Testamento (Mt 7.12; 22.40; At 13.15; Rm 13.21) ou fraseologia similar (Mt 11.13; Jo 1.45; At 28.23). Mas a presença do "ou" disjuntivo aqui mostra duas partes distintivas, em que nem uma e nem outra é para ser abolida (Jo 10.35). Aqui não se trata apenas dos preceitos morais, e o Decálogo nem sequer é mencionado no Novo Testamento como tal. Jesus fala ainda a respeito da existência de mandamentos menores: "Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos" (Mt 5.19). Isso por si só invalida a interpretação de que a lei é uma referência aos preceitos morais. Existem mandamentos menores entre os preceitos morais? A resposta é não. Jesus, portanto, está se referindo a todo o sistema mosaico e às demais Escrituras do Antigo Testamento.
O jota se refere ao yõd (’),a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita. O til, keraia,139 em grego, "tracinho, parte de uma letra, acento" (Lc 16.17), é um sinal diacrítico para distinguir uma letra da outra, por exemplo D/n; ~l/7; PI/D. A autoridade da lei permanece mantida até no "menor traço." E o termo "lei" no Novo Testamento, às vezes, se estende a todo o Antigo Testamento (Jo 10.34; Rm 3.19; 1 Co 14.21). Parece que o Senhor Jesus se refere aqui às Escrituras, de qualquer forma, seja a lei ou todo o Antigo Testamento, o certo é que não se trata apenas da lei moral. Sua validade se estenderá até o fim das eras. Isso significa até "que tudo seja cumprido". O verbo grego usado aqui para "cumprir" não é o mesmo do versículo 17, mas gínomai, "ser, tornar, vir a ser, acontecer", eõs panta genêtai, "até que todas essas coisas aconteçam" (Mt 5.18b). Logo, não se trata aqui de obediência aos mandamentos; essas palavras não significam obedecer à lei. A ideia é até que todas essas coisas aconteçam. A lei aqui, portanto, não se refere à Torá nem aos mandamentos, mas a todo o Antigo Testamento, que é a base do Novo, e seus ensinos perduram enquanto existirem os céus e a terra.
Voltando ao "menor dos mandamentos", ele é muito importante porque é parte da lei de Deus. O discípulo que declarar insignificante ou não observar o menor desses mandamentos será chamado de menor no reino dos céus, mas o que o cumprir e o ensinar aos outros será considerado grande no reino dos céus (Mt
5.19). Aquele que violar ou abolir esses pequenos mandamentos ocupará uma posição inferior (1 Co 3.12-15). Não significa ficar excluído da felicidade eterna. Agostinho de Hipona, Lutero e Calvino concordam com essa linha de pensamento.
A justiça dos escribas e fariseus era da letra da lei, artificial, externa e formalista. Mas os discípulos de Jesus receberam o Espírito Santo; assim, a justiça deles é interna e profunda, impressa no coração e na alma de cada um com a regeneração (2 Co 5.10). É cumprimento da promessa de Deus desde os profetas (Jr 31.33; Ez 36.27). Por essa razão, o procedimento do cristão precisa superar a conduta dos escribas e fariseus (Mt 5.20).
Outra interpretação inaceitável é a que afirma que a lei cerimonial e a lei civil foram abolidas, mas não a lei moral. O apóstolo Paulo afirma que a lei era transitória (2 Co 3.7-14) e, ao dizer isso, ele inclui as duas tábuas de pedras: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória" (2 Co 3.7). O primeiro concerto foi feito com Israel no monte Sinai com a manifestação do próprio Deus diante de todo o povo, e Moisés foi o mediador desse pacto, conforme registra o capítulo 24 de Êxodo. As tábuas da lei com as dez palavras foram entregues num cenário de glória (Êx 19.1-20.22). Já escrevemos sobre isso no primeiro capítulo. A face de Moisés brilhava quando ele descia do monte (Êx 34.30-35).
Javé deu as dez palavras a Israel para que povo aprendesse a andar com Deus, mas as sanções aplicadas aos transgressores no sistema mosaico eram severas. A lei foi dada para a vida (Lv 18.5; Mt 19.17), mas a incapacidade do ser humano em obedecer transformou-a em morte (Rm 7.10). Paulo chama a lei de "ministério da morte" ou "que traz a morte” (NTLH), apesar de ser ela santa "e o mandamento santo, justo e bom" (Rm 7.12). Contudo, a lei não podia ajudar o israelita a praticar a justiça. Stanley M. Horton a compara a um termômetro que pode medir a temperatura mas não gera nem calor nem frio. A lei mensura a justiça e a injustiça, mas não ajuda a tomar alguém justo ou injusto. O problema está no pecado humano.

O código escrito é externo, a obediência a ele pode ser artificial, mas a obra do Espírito é interna, transforma o coração humano e provoca no cristão o desejo de fazer a vontade de Deus. Assim, explica o apóstolo, esse ministério era transitório. Por isso o apóstolo fala dessa antítese: "a letra mata, e o Espírito vivifica" (2 Co 3.6). A lei veio em glória; mas, sendo ela transitória, "como não será de maior glória o ministério do Espírito?" (2 Co 3.8). Isso mostra que os mandamentos ensinados por Jesus no Novo Testamento superam com larga vantagem os preceitos do Decálogo e de todo o Antigo Testamento (2 Co 3.8, 9).
"Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!" (Rm 6.14, 15). Todos nós sabemos que a lei e a graça são princípios opostos (Jo 1.17). Estar debaixo da lei significa aceitar a obrigação de guardá-la e isso implica maldição ou condenação. O apóstolo Paulo declara: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gl 3.10). A lei de Moisés é um livro e não duas tábuas de pedra, então o apóstolo está se referindo a todo o Pentateuco. Dizer que se trata aqui da lei cerimonial ou civil nos parece uma camisa de força. Estar debaixo da graça significa reconhecer a dependência exclusiva de Cristo para a salvação.

Considerações finais

Nem o Senhor Jesus nem os seus apóstolos ensinaram o Decálogo. Jesus teve oportunidade em mais de uma ocasião de mencionar os Dez Mandamentos, mas não o fez. Não há tal menção no Novo Testamento, a não ser a citação de preceitos nele contidos. O seu reconhecimento como revelação de Deus e Escritura divinamente inspirada, como expressão máxima da vontade de Deus, é indiscutível. Jamais devemos nos esquecer de que o Antigo e o Novo Testamento vieram do mesmo Deus. Mas sua função na história da redenção humana não deve ser confundida. Assim, o Decálogo tem o mesmo valor das outras partes do Antigo Testamento para o cristianismo.
Devemos obedecer à lei? Tem ela domínio sobre nós? O apóstolo Paulo responde a essas duas perguntas: "Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra" (Rm
7.6). O cristão jamais deve praticar o que a lei proíbe, pois, apesar de estarmos libertos dela, essa liberdade significa que estamos livres para servir, e não para pecar. Somos servos de Cristo e não da lei, e queremos servir a ele, visto que estamos debaixo da graça não para produzir a salvação, mas porque o Espírito nos guia na obediência.

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