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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Um Lugar de Adoração a Deus no Deserto - Lição 9

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Por Silas Daniel

Do capítulo 25 ao capítulo 40 do livro de Êxodo, encontramos a instituição dos métodos de adoração a Deus entre o povo de Israel. As instruções divinas para o culto são dadas a Moisés, que as repassa ao povo; e elas consistem não só de orientação quanto à confecção de objetos a serem usados na organização dessa adoração, mas também de orientações voltadas para a liturgia do culto a Deus.
Entretanto, o que chama muito a atenção nesses capítulos é que, em meio a essa série de orientações sobre a montagem do santuário e a liturgia a ser adotada, Moisés também narra a apostasia do povo no deserto, quando os israelitas tiveram que ser fortemente confrontados e ocorre a quebra do concerto de Deus com seu povo, o qual só foi restaurado após o arrependimento dos israelitas e a intercessão de Moisés em favor deles (Êx 32.1—34.35). Notemos que essa apostasia envolvia, principalmente, uma adoração equivocada (Êx 32.1-8).
Como afirma o Comentário Bíblico Beacon, “esta seção final do Livro do Êxodo revela a paciência de Deus em lidar com seu povo rebelde e mostra os detalhes minuciosos que são requisitos para o povo adorá-lo”. Ou seja, a adoração equivocada, a misericórdia de Deus e a adoração correta são os assuntos que, não por acaso, perpassam os capítulos que compreendem a última seção do livro de Êxodo. Sim, não por acaso esses assuntos se encontram aqui, porque, na verdade, eles só poderiam estar aqui. As instruções para o Tabernáculo e a apostasia do povo de Israel no deserto são episódios que estão entrelaçados não apenas cronologicamente, mas também tematicamente, porque evidenciam o tremendo contraste entre a verdadeira e a falsa adoração.
E chocante ver que enquanto Deus estava manifestando a Moisés o desejo de habitar no meio dos israelitas e dava-lhe as instruções para que houvesse um maior relacionamento dEle com o povo por meio da instituição de um santuário, os judeus estavam envolvidos em um projeto pessoal de religião, criando seus próprios símbolos de adoração, seu próprio culto e se chafurdando no pecado. Esses capítulos mostram o contraste entre a verdadeira e a falsa adoração, entre os frutos e o espírito do verdadeiro culto a Deus e os do falso culto. E a suma desse contraste é: enquanto o verdadeiro culto a Deus, através do ritual dos sacrifícios e do significado dos símbolos que ele carregava, evoca arrependimento, quebrantamento, humildade e conclamava à santidade, o culto apóstata leva o povo à licenciosidade (Ex 32.6,25).

Eis a grande lição desses últimos capítulos do livro de Êxodo.
A seguir, vejamos e analisemos as orientações divinas dadas a Moisés para uma verdadeira adoração a Ele, e notemos como elas refletem verdades neotestamentárias sobre a verdadeira adoração. Afinal, a adoração a Deus no Antigo Testamento pode se diferenciar externamente da adoração no Novo Testamento — além, claro, do fato de contarmos hoje com um acesso maior a Deus por meio do sacrifício perfeito e definitivo de Cristo —, mas os princípios que subjazem na adoração a Deus no Antigo Testamento são os mesmos no Novo Testamento.
Como afirma o escritor da Epístola aos Hebreus, tudo que envolvia o ritual de adoração a Deus no Antigo Testamento era “sombra” das verdades celestiais evidenciadas no Novo Testamento por meio de Cristo (Hb 8.5). Ou, como bem resume a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal ao comentar essa passagem de Hebreus, “o padrão para o Tabernáculo construído por Moisés foi dado por Deus. Era um padrão da realidade espiritual do sacrifício de Cristo e, deste modo, antecipava a realidade futura. [...] O Tabernáculo terrestre era uma expressão dos princípios eternos e teológicos”.
Aprendamos, portanto, um pouco mais sobre a verdadeira adoração com os princípios eternos subjacentes nas instruções divinas para a construção do Tabernáculo.

"E Habitarei no Meio Deles''
Depois da entrega da Lei, encontramos, bem no início do capítulo 25, as primeiras instruções de Deus a Moisés para a construção do Tabernáculo. O homem de Deus estava já há algum tempo na presença divina no alto do monte, quando o Senhor começa a transmitir-lhe o projeto de um santuário a ser erguido entre o povo e o propósito de sua construção: “... e habitarei no meio deles” (Ex 25.8).
“Habitarei no meio deles.” Até aquele momento, Deus já havia se manifestado várias vezes em favor de Israel, mas não fora visto ainda “no meio deles”. Quando Deus falava a Moisés no monte, o povo assistia a distância, impactado pela visão dos raios projetados lá de cima. Agora, porém, Deus está dizendo que a sua presença, que os assistira até ali, estaria permanentemente no meio do arraial, representada por e habitando um santuário erguido sob sua orientação.
Enfim, Deus queria que o povo tivesse um relacionamento mais íntimo com Ele, e hoje não é diferente: Ele deseja o mesmo conosco por meio do seu Santo Espírito, que, como asseverou Jesus, habita em nós desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós ’ (Jo 14.16,17 — grifo meu).

Os Recursos e o Modelo para a Construção do Tabernáculo
Os capítulos 25 a 31 apresentam as diretrizes para a construção do Tabernáculo, e os capítulos 35 a 40, a execução dessas diretrizes. Alguns pontos chamam a atenção nessas instruções divinas.
O primeiro deles é que esse santuário, onde Deus estaria habitando no meio do seu povo, deveria ser construído com ofertas espontâneas (Ex 25.2). As ofertas deveriam ser voluntárias. Essa mesma orientação é vista em outras passagens bíblicas relativas a ofertas alçadas (1 Cr 29.17; 2 Co 9.7). Isso nos ensina que o princípio basilar para encetar qualquer relação mais íntima do homem com Deus é a disposição sincera do coração. Não se pode construir um relacionamento com Deus sem esse item inicial. Ele vem antes de qualquer “tijolo” a ser colocado e permanece durante todo o processo, porque, como bem disse Davi, ainda que tenhamos um templo belo e o sacrifício que levemos ao altar seja perfeito, se não há, antes de tudo, esse coração aberto, sensível e voltado para Deus, não adianta nada: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17).
O segundo ponto é que o Tabernáculo também não poderia ser feito de qualquer jeito. Seus detalhes não foram entregues ao gosto de Moisés ou do povo. Não! O Tabernáculo deveria ser construído seguindo as minuciosas diretrizes divinas: “Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (Ex 25.9). Deus não habitaria no meio do povo em um Tabernáculo construído como o povo queria, mas em um Tabernáculo construído como Ele queria.
O modelo tanto do santuário como de seus utensílios foi dado pelo próprio Deus. E justamente por causa desse modelo preestabelecido, as ofertas alçadas também teriam que se enquadrar dentro de uma lista predeterminada pelo Senhor (Ex 25.3-7). O povo deveria ofertar espontaneamente, mas não poderia ofertar qualquer coisa. Ofertar espontaneamente não significa ofertar o que você quer, mas ofertar porque você quer.
Isso nos ensina que não podemos nos relacionar com Deus e chegar a Ele como nós queremos, mas segundo os parâmetros estabelecidos por Ele para as nossas vidas. Não podemos apresentar ao altar de Deus qualquer coisa, mas só aquilo que lhe agrada, que está dentro de sua vontade. Mais à frente, vemos Deus afirmando que não receberia sacrifícios com animais imperfeitos nem aceitaria fogo estranho no seu altar (Lv 1.1-3; 10.1-3). Ou seja, a verdadeira adoração se dá segundo os parâmetros estabelecidos pelo próprio Deus, os quais nos são expressos pela sua Palavra. Por exemplo: só podemos chegar a Deus por meio de Cristo (Jo 14.6); a verdadeira adoração deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23); o nosso culto deve ser racional (Rm 12.1); devemos envolver todo o nosso ser na adoração a Ele (SI 103.1; Rm 12.1); nosso zelo diante de Deus deve ser com entendimento (Rm 10.2); devemos viver uma vida de santidade (Hb 12.14); devemos pedir a Deus somente o que está dentro da sua vontade (1 Jo 5.14); devemos fazer tudo para glória de Deus (1 Co 10.31); devemos colocar em primeiro plano em nossas vidas o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33); em tudo o que fizermos deve haver uma intenção pura e genuína norteada pelo verdadeiro amor (1 Co 13.1-7); tudo que ocorrer no culto público deve ser “para edificação” (1 Co 14.26); o culto público deve ter louvor, Palavra e manifestação sadia de dons (1 Co 14.26); tudo deve ser feito “com decência e ordem” (1 Co 14.40); etc.

O Pátio do Tabernáculo, o Altar dos Holocaustos e a Pia de Bronze
Deus ordenara que o Tabernáculo deveria ter um pátio (Ex 27.9). Esse pátio tinha formato retangular e media cerca de 22 metros de largura por 45 metros de comprimento (Êx 27.18). Ele era cercado por cortinas e havia uma única entrada para ele. O pátio cercado por cortinas simbolizava a separação que deve haver para a adoração a Deus. Como bem explica Matthew Henry, “o pátio era um tipo da igreja, fechada e separada do resto do mundo, encerrada por colunas, indicando a estabilidade da igreja, fechada com o linho limpo, que está escrito que é a justiça dos santos (Ap 19.8). Este eram os átrios pelos quais ansiava Davi e onde ele anelava residir (SI 84.2,10), e onde o povo de Deus entrava com louvor e agradecimentos (SI 100.4)”.
A porta única de entrada para o pátio representava Cristo, que é a única Porta de acesso a Deus, o único Caminho para o céu (Jo 10.9; 14.6).
A primeira coisa que era vista pela pessoa que adentrava o pátio era o Altar dos Holocaustos, que era feito de madeira de cetim (acácia) coberta de bronze e seu formato era de um quadrado com 2,25 metros de cada lado por 1,35 metro de altura (Ex 27.1,2). Era ali que os animais eram imolados em sacrifício para expiação dos pecados. O sangue das vítimas era colocado nas pontas do altar e o restante dele, derramado na sua base (Lv 4.7). O Comentário Bíblico Beacon afirma que as pontas projetadas nos quatro cantos do altar “tinham provavelmente a forma de chifre de animal”, o que fazia deles, conforme o costume da época, “símbolos de poder e proteção”. Donald Stamps acrescenta que simbolizavam, portanto, “o poder e a proteção através do sacrifício”, conforme pode ser visto nas passagens de 1 Reis 1.50,51 e 2.28, e Salmos 18.2.5
Matthew Henry lembra que tanto os animais sacrificados sobre o altar como a própria constituição do altar com madeira coberta de cobre (ou bronze, que nada mais é do que a liga de cobre e estanho) apontam para Cristo:
Este altar de cobre era um tipo de Cristo. [...] A madeira teria sido consumida pelo fogo do céu, se não tivesse sido protegida pelo cobre. E a natureza humana de Cristo não teria suportado a ira de Deus, se não fosse sustentada pelo poder divino. Cristo santificou-se pela sua Igreja, assim como o seu altar (Jo 17.9). E pela sua mediação Ele santifica os serviços diários do seu povo, que também tem o direito de comer deste altar (Hb 13.10), pois ali servem como sacerdotes espirituais. Às pontas deste altar, os pobres pecadores fogem em busca de refúgio, quando a justiça os persegue, e ali estão a salvo, em virtude do sacrifício ali oferecido.
Varas colocadas em argolas na estrutura do altar tinham a finalidade de propiciar o seu transporte pelos levitas (Ex 27.6,7), assim como acontecia com toda a mobília do Tabernáculo, que era móvel, com toda a sua estrutura desmontável. O altar era oco (Ex 27.8) e, como frisa o Beacon, “considerando que Israel só devia fazer altares de terra ou com pedras naturais, sem uso de instrumentos de ferro (Ex 20.24,25), julgamos que este altar semelhante a caixa era cheio de terra sempre que Israel assentava acampamento” e que “os animais sacrificiais eram colocados em cima da terra que enchia a armação de madeira e bronze”.7
As instruções de Êxodo 20.24-26 sobre a construção de altares é bastante interessante. Diz Deus:
Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, [...] [e] virei a ti e te abençoarei. E, se me fizeres um altar de pedras, não o farás de pedras lavradas; se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás. Não subirás também por degraus ao meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante deles.
Sobre esse final, é curioso ver o cuidado de Deus com os detalhes; especificamente aqui, o cuidado para que alguém não se apresentasse diante dEle e do povo mostrando, mesmo que de modo involuntário, a sua nudez. Aliás, esse cuidado pode ser visto até na roupa dos sacerdotes, que era extremamente composta, formal e — devido à importante função que exerciam -— tinha também, claro, a sua imponência, além dos simbolismos (Êx 28.4-43).
Diante desse cuidado divino, não há como não pensar nos dias de hoje, quando muitos acham que podem cultuar a Deus em público (não estamos falando aqui do privado) de qualquer maneira, mesmo com roupas que revelam a sua nudez. Ninguém está dizendo aqui que as pessoas devem ir para a igreja agora com as vestes dos sacerdotes do Antigo Testamento ou somente com roupas extremamente formais. A questão aqui são a compostura e a decência na Casa de Deus, que muitas vezes são esquecidas.
Quanto aos demais detalhes dessa instrução sobre os altares em Êxodo 20, a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal traz uma importante reflexão:
[Deus] [...] concedeu-lhes instruções específicas sobre construção de altares, pois desejava controlar o modo de oferecer os sacrifícios.
Para evitar que a idolatria pervertesse a adoração, Deus não permitiu que as pedras do altar fossem de alguma forma cortadas ou modeladas. Também não permitiu que o povo construísse um altar em qualquer lugar. Tal atitude visava a impedir que iniciassem suas próprias religiões ou mudassem o modo como Deus desejava que as coisas fossem feitas. Deus não é contra a criatividade, mas Ele não admite que criemos a nossa própria religião.
Como observa também o Comentário Bíblico Beacon, “a simplicidade do altar [de terra] fazia o homem tirar a atenção de si mesmo e das coisas materiais para [voltar-se para] o Deus Exaltado. [...] [E] o uso de pedras em sua forma natural impedia que, nesta época, Israel fizesse embelezamentos artísticos, provavelmente por causa do perigo de idolatria”.9 Ou seja, o princípio aqui é claro: Deus não é contra a criatividade, mas é preciso ter cuidado para que, em nome da nossa criatividade, não percamos a simplicidade ou mesmo subvertamos o modelo bíblico do culto a Deus. Quando Deus permitiu que Israel tivesse altares mais elaborados, que foram justamente o Altar dos Holocaustos e o Altar do Incenso, estes foram burilados conforme a determinação divina (Ex 27.1-8; 30.1-5).
Mas, finalmente, havia ainda no Pátio do Tabernáculo a Pia de Bronze. Ela era utilizada para o sacrifício de purificação (Ex 30.17-21). Essa lavagem cerimonial era feita com água constantemente substituída, já que não havia sistema de torneiras ou bicas naquela época nem algo parecido com isso é mencionado no texto bíblico. Os sacerdotes deveriam se lavar sempre nele antes de ministrarem no interior do Tabernáculo ou no Altar dos Holocaustos.
Ora, a água fala de pureza e santificação, e é símbolo da ação purificadora da Palavra de Deus (Jo 15.3; 17.17; Ef 5.26,27) e do Espírito Santo (Tt 3.4-6; 1 Co 6.11) em nossos corações (Hb 10.22; 1 Pe 1.22,23). Pode simbolizar também a purificação pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), uma vez que o sacrifício de Cristo nos purifica de todo pecado e nos dá acesso à constante ação purificadora do Espírito Santo e da Palavra de Deus em nossas vidas.

O Lugar da Habitação de Deus
Dentro do chamado “Lugar da Habitação de Deus”, que era a parte interior da tenda do Tabernáculo, havia dois ambientes: o primeiro é o Lugar Santo, onde ficavam o castiçal de ouro, a mesa dos pães da proposição e o altar do incenso; e o segundo é o Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança, única peça desse ambiente. Estima-se que o Lugar Santo media 9 metros de extensão, e o Santo dos Santos, 4,5 metros.
O castiçal de ouro (Ex 25.31-40) era o que iluminava o interior da tenda, já que não havia janelas ali. Ele era feito com puro ouro batido e seu fogo, mantido aceso com azeite. Essa peça nos fala, prioritariamente, de Cristo, que é a Luz do Mundo (Jo 8.12), e, por extensão, da Igreja, que também é simbolizada pelo castiçal de ouro (Ap 1.12,13,20). Aliás, o próprio Jesus, antes da visão de João no Apocalipse, já havia comparado a Igreja a uma lâmpada acesa e também a chamado de “luz do mundo” (Mt 5.14-16). O apóstolo Paulo reforça essa ideia em Filipenses 2.15.
O azeite, por sua vez, é símbolo do Espírito Santo. Para que o castiçal permanecesse aceso, era preciso que seu azeite fosse renovado todos os dias. Da mesma maneira, só podemos projetar a luz de Deus sobre o mundo se formos cheios do Espírito Santo; e, por consequência, só podemos projetá-la continuamente se procurarmos estar sempre cheios do Espírito. Não à toa, o imperativo “enchei-vos do Espírito”, no original grego de Efésios 5.18, subtende a necessidade de estarmos continuamente cheios do Espírito Santo, e não apenas de vez em quando.
A mesa dos pães da proposição tinha 90 centímetros de comprimento, 75 centímetros de altura e 45 centímetros de largura (Êx 25.23-30), e falava de Cristo como o Pão da Vida, o Pão vivo que desceu do céu (Jo 6.35). Eram sempre doze pães, um para cada tribo de Israel, e eles eram sempre trocados aos sábados e protegidos ao redor da mesa por uma beira de ouro, para que não escorregassem até o chão pela borda da mesa. Doze pães, um para cada tribo, trocados semanalmente e cercados por uma beira dourada falam da suficiência, permanência e garantia de Cristo para todo o seu povo como o Pão da Vida.
O altar do incenso (Êx 30.1-10) era um lugar destinado à adoração e à oração. Ele tinha o mesmo formato do altar dos holocaustos, só que era menor, medindo 45 centímetros quadrados por 90 centímetros de altura. Também era de madeira de cetim (acácia), só que revestida com puro ouro em vez de bronze. Seu transporte também era feito com varas encaixadas em argolas de ouro nas laterais do altar (Êx 30.4,5).
O altar menor, como também era chamado, era a peça que ficava mais próxima da entrada do Santo dos Santos, separando-se da Arca da Aliança apenas pelo véu de entrada para esse último ambiente. O incenso deveria ser queimado diariamente (Ex 30.7). Deus costumava se manifestar àqueles que lhe ofereciam incenso nesse altar de ouro, como aconteceu com Zacarias, pai de João Batista, que recebeu do anjo Gabriel, mensageiro de Deus manifestado diante desse altar, o anúncio divino da concepção do seu filho João no ventre de Isabel, sua esposa, e da importantíssima missão que seu filho teria (Lc 1.8-17). O incenso simboliza a adoração, o louvor e a oração, como podemos ver claramente em Salmos 141.2 e Apocalipse 5.8 e 8.3,4.
Finalmente, no Santo dos Santos, chamado também de Lugar Santíssimo, estava a Arca da Aliança (Ex 25.10-22), a peça mais importante de todo o Tabernáculo. No Santos dos Santos, só o sumo sacerdote poderia entrar, e apenas uma vez ao ano (Hb 9.7), para aspergir sobre o propiciatório — isto é, a tampa da Arca — o sangue que havia sido derramado do sacrifício anual feito para expiação dos pecados de todo o povo (Lv 16.14,15; 17.11). Hoje, tal expiação não é mais necessária, porque Jesus, o nosso Sumo Sacerdote por excelência, já entrou na presença do Pai oferecendo o seu próprio sangue como propiciação definitiva pelos nossos pecados (Rm 3.24,25; Hb 9.11-15; 10.10,12), de maneira que todos quantos o recebem como único e suficiente Salvador e Senhor, aceitando seu sacrifício em nosso favor e entregando suas vidas totalmente a Ele, têm livre acesso à presença de Deus (Hb 10.19-23).
A Arca da Aliança representava a própria presença de Deus entre o povo, de maneira que os israelitas, em determinado momento de sua história, chegaram até mesmo a usá-la como se fosse um amuleto, no episódio em que ela foi levada pelos filisteus após uma batalha em que Israel, por causa dos seus pecados, teve que fugir de diante de seus inimigos (1 Sm 4.1-22).
A Arca era chamada de “Arca do Testemunho” (Ex 25.22), “Arca do Concerto do Senhor” (Dt 10.8), “Arca de Deus” (1 Sm 3.3) e “Arca do Senhor” (1 Sm 4.6). Sua designação “Arca do Testemunho” se devia ao fato de que carregava “O Testemunho” (Ex 25.16), que era o nome dado às duas tábuas de pedra contendo o Decálogo, isto é, os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus (Êx 31.18). À luz do uso que Jesus faz da expressão “dedo de Deus” em Lucas 11.20, entendemos que ela não significa necessariamente que Deus se manifestou em forma de uma mão de homem, como ocorreu na Babilônia nos dias de Daniel (Dn 5.5), para escrever, nesse caso, fisicamente nas tábuas de pedra, mas, sim, que uma ação sobrenatural de Deus fez gravar diretamente nas pedras, aos olhos de Moisés, as suas Palavras. Ou seja, de qualquer forma, foi uma ação sobrenatural de Deus. O texto bíblico é bem claro em afirmar que as inscrições nas tábuas eram uma obra direta do próprio Deus — tanto nas primeiras tábuas (Êx 32.16) quanto nas segundas (Ex 34.1,4).
Deus mencionou essas tábuas a Moisés logo quando ordenou a ele para que subisse ao monte (Ex 24.12) e avisou em seguida que seu lugar seria dentro da Arca (Êx 25.16). Moisés quebrou essas tábuas em sua ira diante da apostasia do povo (Êx 32.19), mas Deus fez outras tábuas (Êx 34.1,4), que foram colocadas devidamente na Arca (Êx 40.20), como havia sido ordenado. Posteriormente, além das Tábuas da Lei, a Arca abrigou um pote de ouro contendo uma amostra de 3,6 litros (“um ômer”) do maná que Deus enviara ao seu povo no deserto diariamente, e que fala da provisão divina (Êx 16.32,33; Hb 9.4), e também a vara de Arão, que fala de autoridade, chamada e confirmação — a Bíblia diz que Deus fez com que essa vara miraculosamente florescesse para confirmar diante do povo a chamada de Arão para ser o sumo sacerdote (Nm 17.7-11; Hb 9.4). A mensagem é clara: na presença de Deus, há provisão, chamado, confirmação e autoridade.
A Arca da Aliança só podia ser carregada pelos sacerdotes (Nm 9.15-17; 2 Sm 6.1-15), que a carregavam nos ombros, assim como faziam com todas as peças do santuário (Nm 7.9). A tampa da Arca — o propiciatório — era feita de ouro puro (Êx 25.17) e suas dimensões em extensão eram as mesmas da Arca. O propiciatório recebia esse nome porque “era o lugar da expiação, onde estava simbolizada a misericórdia”.
Como já dissemos, somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e uma vez por ano, mas houve, durante um período de cerca de quarenta anos, uma exceção: Moisés. Ao contrário do sumo sacerdote, Moisés entrava no Lugar Santíssimo constantemente, já que, em Êxodo 25.22, encontramos Deus dizendo-lhe que, logo que o Tabernáculo estivesse pronto, passaria a conversar com Moisés dentro do Santo dos Santos, onde Ele se manifestaria em cima do propiciatório.
Dois querubins de ouro ficavam em ambas as extremidades do propiciatório (Êx 25.18). Como lembra Stamps, “eles representavam seres celestiais que assistem junto ao trono de Deus no céu (Hb 8.5; Ap 4.6,8). Simbolizavam presença de Deus e a sua soberania entre o seu povo na Terra (1 Sm 4.4; 2 Sm 6.2; 2 Rs 19.15)”.
Não por acaso, o propiciatório, a beira de ouro ao redor da Arca, os querubins e as argolas para ajudar a levá-la eram de ouro maciço, para simbolizar a pureza e a preciosidade da presença de Deus. O restante da Arca, inclusive as varas para carregá-la, era coberto de ouro (Êx 25.11-13). Ela era coberta de ouro por dentro e por fora.
Outro detalhe é que assim como na parte mais importante do Tabernáculo — a Arca da Aliança — estavam colocadas as Tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos escritos pelo dedo de Deus, da mesma maneira o Senhor deseja que no fundo do nosso ser, no recôndito da nossa alma, nas tábuas do âmago do nosso coração, estejam gravados os seus mandamentos (SI 119.11; 2 Co 3.3) e a sua presença possa se manifestar diariamente (2 Co 4.16).
Nem o Tabernáculo nem o Templo, o seu substituto, existem mais, porém a Bíblia diz que, desde o dia em que entregamos nossa vida a Cristo, passamos a ser templos do Espírito Santo — tabernáculos, por assim dizer, ambulantes do Senhor sobre a Terra (1 Co 6.19,20), peregrinando no deserto desta vida aguardando o dia em que seremos transportados para a Pátria Celestial.

O véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51) e hoje temos livre acesso à presença de Deus, que passou a habitar o nosso ser, desde o dia em que aceitamos a Cristo, pela ação inconfundível do Espírito Santo em nossa vida (Jo 14.17). Portanto, que onde estejamos, carreguemos e manifestemos a glória de Deus em nossa vida; e para que isso se torne uma realidade, que os seus mandamentos estejam sempre gravados no fundo do nosso ser. Amém.

1 comentários:

  1. Muito bem detalhado esse resumo acerca do tabernáculo, parabéns que Deus te abençoe.

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